Mostra com Fotos de Mulheres Nuas Discute Sexualidade Como Tabu, e Incentiva a Masturbação Feminina
A repressão sexual sofrida pela mulher em pleno século XXI é tamanha que questões ligadas à sexualidade feminina não têm a atenção devida. Esse mal contagia inclusive a forma como elas se encaram (tanto que existe mulher que sequer conhece sua própria vagina). Masturbação, então, é assunto proibidíssimo! Pouco se fala a respeito, apesar de sua importância para a vida sexual. "A masturbação é um exercício de sexualidade que permite assumir o controle da própria satisfação", afirma a psicóloga e sexóloga Laura Meyer da Silva ao site da Women's Health. "Também abre espaço para experimentar coisas novas sem se estressar com as expectativas do parceiro."
Conforme estatísticas, 53% das brasileiras solteiras entre 18 e 25 anos jamais tocaram uma siririca.
Diante deste cenário chocante, é bem-vinda toda iniciativa de manter um debate sobre a sexualidade e expugar seu caráter de tabu. Uma delas é a exposição Lendo-me, da fotógrafa paulistana Alle Manzano. São 15 fotografias de nudez feminina que levam à discussão de regras pré-estabelecidas e questionam o conservadorismo de temas como a masturbação feminina.
Há quatro ano, a fotógrafa paulista Alle Manzano, 33, começou a tirar fotos de pessoas nuas. Hoje, com cerca de 200 imagens no acervo, ela selecionou 15 imagens para exposição "Lendo-me", no Nola Bar (zona oeste de São Paulo).
"A interação é abrir diálogo com uma sociedade regida por regras e pré-conceitos estabelecidos, que trata o tema da masturbação como tabu", diz. As telas ficam em um lounge da casa, que conta com objetos de antiquários em sua decoração, pouca luz no ambiente e rock e soul nas caixas de som.
Para ela, o grande desafio foi clicar mulheres completamente sem roupa e enquadrá-las em posições que ficassem vulgar.
O escritor Fábio Chap fez poemas para acompanhar cada retrato. "O resultado foi surpreendente algumas meninas quando se depararam com a tela e com o poema se emocionaram", lembra Alle.
Por conta do tipo de imagem que faz, Alle fica triste quando algumas pessoas confundem seu trabalho: " Já ouvi propostas de "ménage a trois", transa com mulheres, perguntas indecentes" conta.
A exposição no Nola ficou em cartaz até 29 de junho e depois irá para outras casas noturnas de São Paulo - como Jazz nos Fundos e a Serralheria.
Veja o bate-papo da Folha de São Paulo com a artista:
Qual é a sua intenção com esse tipo de imagem?
Reunir pontos de vista não expostos. Abrir diálogo com uma sociedade regida por regras e 'pré-conceitos' estabelecidos, que trata o tema da masturbação como tabu. O nu torna a foto transparente mostrando nossos momentos de dor, lágrimas e, às vezes, destacando o nosso lado obscuro. Minhas imagens precisam falar, pedir e incomodar.
Desde quando você faz esse tipo de retrato, e por quê?
Faço nu há quatro anos, mas sempre divulguei imagens de DJs. Meu trabalho teve um boom quando comecei a fotografar DJs famosos como Vivi Seixas (filha de Raul Seixas), Renato Cohen, Mau Mau, Eli Iwasa. Essas pessoas ajudaram a divulgar o meu trabalho. O porquê do nu é simples, com o nu qualquer ser se sente desprotegido e é exatamente isso que faço com cada uma das mulheres. Preciso delas desprotegidas, desprovidas,com apenas a essência que existe por dentro.
Qual o maior desafio/dificuldade para se fazer belos retratos nus?
O desafio é ver uma mulher completanmente nua e enquadrá-la em uma posição que não fique vulgar.
Como você seleciona as modelos?
São amigas de amigas. Vejo o perfil de Facebook e faço o convite. Após o resultado uma amiga vê e sempre quer. Assim sigo...
Qual a mensagem que você quis passar ao dar o nome "Lendo-me"?
Lendo-me... É o que desejo para cada mulher. Incentivo as mulheres a se amarem constantemente; se tocar, se desejar, se olhar no espelho e se enxergar; conseguir se aceitar, abrir espaços para as suas vontades, sua coragem e suas libertações. Esquecer o mundo de silicones, ouros e plumas. A ver valores e prazeres em todos os lugares do seu corpo: ver o quanto é importante para si mesmae como ela se faz falta. A mulher que consegue trabalhar esse sentimento está firme em todas as decisões, situações e vivencia momentos de real prazer. Precisamos ser e não ter. Precisamos de almas grandes e não de bundas fartas. A beleza do mundo está nas mulheres. Independentemente de sua opção sexual, a mulher é quem gera a vida. A mulher é a soma de todo esse universo.
Com 200 imagens no acervo, porque escolheu apenas 15 para expor?
Porque são as imagens que mais falam sobre mim. Elas me representam, me identifico bastante.
Como foi a escolha de cada poema para cada imagem?
Foi um casamento de nu e poemas com o escritor Fabio Chap. Antes de cada ensaio existe um diálogo entre eu e a modelo a ser fotografada, então consigo sentir o que cada uma está sentindo naquele momento. Se está triste, preocupada, com dificuldades, enfim... O que se passa na vida de cada uma delas. E numa tarde de sábado, regada a arte e cervejas com meus amigos Terek Mahammed (fotógrafo) e Fabio Chap (escritor), Chap olhou cada imagem e começou a recitar poemas. Na mesma hora pedi a ele que anotasse o que estava lendo em cada imagem. Ele imediatamente pegou o seu caderninho, que carrega no bolso da camisa, e foi criando cada poema. Foi impressionante como ele soube captar o que cada uma sentia naquele momento. O resultado foi surpreendente e algumas meninas quando se depararam com a tela e com o poema, se emocionaram.
Já recebeu alguma crítica com as fotos que a deixou triste?
Não sei se foi bem uma crítica, mas homens e mulheres acabam confundindo o nu artístico. Acabam me rotulando por ser fotógrafa de nu feminino, e com isso já ouvi propostas de ménage, transa com mulheres, perguntas indecentes. Fico triste, pois percebo que que as pessoas andam tão carnais que não conseguem apreciar o sentimento que a imagem passa.
Em seu trabalho há mulheres bonitas, mas com uma beleza mais natural... Qual é a sua opinião sobre as mulheres que aparecem na TV e investem em silicone, horas de academia e até em anabolizantes para mudar o corpo?
Elas têm total direito sobre essas mudanças. Se as faz felizes, se as deixam seguras, acho que é válido sim. Só que não entendo porque algumas mulheres precisam desse corpo escultural apenas para agradar os homens. Primeiro eu me agrado, eu me faço feliz. E depois sim, vem o parceiro.Eu particularmente não consigo achar beleza nesses tipos de corpos e num rosto totalmente coberto por maquiagem.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/05/1452236-mostra-com-fotos-de-mulheres-nuas-discute-sexualidade-como-tabu.shtml
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Muito obrigada pelo recadinho!