Porque ele também tem que te fazer se sentir linda


Eu realmente acredito que o amor próprio é o primeiro ingrediente para um relacionamento saudável. Acredito que para você amar alguém e até para ser amada por alguém, tem que se amar, se gostar e se aceitar. Mas a verdade é que é impossível negar a influência que os nossos namorados têm sobre a nossa autoestima. Como já muito bem disse Lady Gaga, ‘Love is like a brick. You can build a house, or you can sink a dead body.’ Eu não acho Lady Gaga grande coisa, mas ela acertou nessa.

Ficar mais velha tem suas vantagens (tem que ter alguma, afinal) e hoje já não penso mais nos meus antigos relacionamentos de forma tão emocional. Consigo analisar como aprendizado, em que eu entendi muita coisa não só sobre me relacionar, mas principalmente sobre mim mesma.

Em uma dessa análises eu percebi o quanto minha autoestima foi machucada em todos os meus antigos relacionamentos e como isso me transformou em uma pessoa insegura em vários momentos dentro da relação e, como conseqüência, fiquei mais ciumenta do que eu realmente sou, mais tímida do que eu realmente sou, mais insegura do que realmente sou e menos atraente do que eu realmente sou.

Em quase todos os meus relacionamentos anteriores, em algum momento senti que eu não era boa o suficiente em algum quesito e às vezes, em todos eles. Sentia que não era magra o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente, sagaz o suficiente, aventureira o suficiente, com o peito em pé o suficiente. Em um dos meus relacionamentos mais longos, que durou 6 anos, com o garoto que abalava minhas estruturas, minha insegurança brotou super cedo, quando tínhamos apenas 6 meses de namoro. Estávamos tendo um problema e eu como uma mulher ainda dominada pela cultura do machismo, assumi toda a culpa para mim.

Em uma conversa que não posso contar para vocês detalhes porque não quero expôr ninguém, ele me disse assim, na cara dura pelo telefone uma frase que nunca esqueci: “Talvez você tenha razão mesmo, você poderia emagrecer um pouco, pode ser isso”. Eu nunca me esqueci daquela frase e a partir dali absolutamente tudo em relação a nós dois me deixava insegura. E essa foi só uma das frases que me colocaram pra baixo que ele me disse ao longo do nosso relacionamento. Eu tinha 19 anos, 1,75 de altura, pesava 65 kg (o mais magra que já fui na vida), vestia 38, fazia faculdade, trabalhava, estava indo morar sozinha e estava apaixonada por um garoto que não me achava boa o suficiente.

Infelizmente, entre namorados e ficantes, esse não foi o único relacionamento que eu me senti assim. Não tem nada pior do que estar com alguém e ter certeza que aquela pessoa adoraria te fazer uns retoques, te dar uma turbinada no melhor estilopimp my ride. A pior sensação do mundo é saber que o seu namorado gostaria de mudar mil coisas em você e, pior do que isso, achar que mudar certas coisas são moleza. Vou dar outro exemplo agora de um ex namorado de uma amiga minha. Ela tinha bastante celulite no bumbum e vivia em guerra com elas. Comprava cremes, bebia muita água e gastava parte do salário de estagiária fazendo drenagem linfática. Ela realmente se sentia insegura com aquela parte do corpo, usava biquinis grandes e evitava o máximo ficar só de calcinha perto do namorado. Obviamente qualquer tipo de insegurança, principalmente corporal dá uma atrapalhada na relação sexual e ela já tinha contado pra ele que tinha horror da “bunda celulitosa” (como ela mesmo chamava) dela. Em uma dessas conversas ele diz: “Tirar celulites não deve ser algo tão difícil assim. O que essas mulheres tipo a Sabrina Sato fazem?”. Bom, eu nem preciso dizer como ela se sentiu depois disso, preciso? Essa menina que tinha uma barriga chapada, um peito duro e olhos verdes, além de uma personalidade incrível,  passou a se sentir a garota mais insegura do planeta dentro daquele relacionamento.

Queremos apenas ser amadas e desejadas pelas pessoas que deveriam amar e desejar a gente. Não é pedir muito. Homens precisam de uma pitada de sensibilidade e saber a linha tênue da diferença entre estimular a gente a mudar as coisas que NÓS não gostamos em nós mesmas e piorar nossas neuroses e detonar nossa autoestima.

Depois de tantos relacionamentos do tipo que me colocavam pra baixo hoje tenho um namorado que entende perfeitamente essa linha tênue. Em uma conversa sobre as minhas inseguranças (que infelizmente acredito que toda mulher tem, boa parte por conta da cultura da nossa sociedade), ele me disse: “Nuta, eu te amo e o que você decidir fazer vou te apoiar. Mas eu te acho linda, perfeita exatamente como você é. Eu não mudaria nada em você, mas quero que você se sinta bem com você mesma.” 

Eu não sou mais tão jovem como eu era, nem tão magra quando eu era, mas nunca me senti tão bonita, amada e desejada. E por causa disso tenho certeza que ele tem uma namorada melhor, bem mais segura, feliz e “solta” vamos dizer assim, do que todos os meus ex-namorados.

Ainda quero mudar mil coisas em mim. Mas ter alguém do meu lado que não quer e ama tudo que eu às vezes torço o nariz no espelho, ajuda a me sentir menos ansiosa, insegura e tensa em várias situações. E o mais louco? Me dá mais ânimo de fazer as coisas que quero fazer, mudar as coisas que eu sinto vontade de mudar.

Resumo disso? Tudo que você não precisa, garota, é ter alguém que te cobre, te deixe insegura e que te coloque pra baixo. A vida já faz muito isso, o tempo todo, em todas as situações. Esteja com alguém que te faça se sentir linda, segura e feliz. Você merece isso.


Autora: Nuta Vasconcellos
Fonte: http://www.girlswithstyle.com.br/estive-pensando-sobre-a-importancia-dele-te-fazer-se-sentir-linda/

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